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Modismos e mesmice em arquitetura

Um fenômeno recorrente quando o assunto “arquitetura” surge em postagens de redes sociais ou em imagens de novas construções pelas cidades brasileiras é a constatação, por olhares mais atentos e críticos, de uma certa padronização de tipologias e formas arquitetônicas. Como exercício recomendo uma breve pesquisa no “google imagens” utilizando, por exemplo, o termo “projeto de casas”.

A maioria das imagens exibe este padrão; retilíneo, com avanço de beirais em alturas diferentes formando um tipo de moldura para construção, além do uso de materiais “na moda” como ripados de madeira, painéis de vidro, portas de entrada gigantes etc.

Google imagens (sobreposição editada):

A questão que se coloca: em um país de população miserável onde cerca de 80% das construções são feitas sem auxílio de arquitetos, cabe crítica a questões de estilo? Certamente o problema maior da arquitetura está relacionado a sua necessária expansão e acesso pela população mas por outro lado, como atividade profissional regulamentada, portanto com obrigatoriedade de formação acadêmica, devemos nos perguntar porquê tantos profissionais se comportam como algoritmos (inclusive alguns desses “projetos” nas imagens são vendidos como produtos pela internet) elaborando projetos tão repetitivos e previsíveis, sem aprofundamento de investigação formal, técnica ou programática, enfim, projetos “sem alma”, por mais banalizada que esta expressão possa ser.

Seria uma fórmula encontrada para conquistar o escasso mercado de arquitetura? Seria uma limitação cultural e estética dos próprios clientes, que solicitam projetos iguais a casa do vizinho, por um desejo de suposto status social? Ou seria uma deficiência comum a formação de profissionais em cursos cada vez mais numerosos, porém com pouca qualidade técnica/teórica e sem exercício crítico? A resposta estará na visão que se tem do conceito de Arquitetura, se para alguns arquitetura é somente a expressão de um desenho “bonito” e sua posterior materialização, todas imagens exibidas neste texto a representam mas o entendimento num sentido mais amplo, como defendido por muitos mestres do passado e do presente, Arquitetura sugere além de desenho: memória, técnica, lugar, contexto, investigação entre outras características que podem a aproximar do status de arte, neste caso, nenhum destes projetos a representa.

Alex Couri, 07/2026